PARTE I
PARTE II
PARTE III
PARTE IV
PARTE V

HISTÓRIA DA NOSSA HISTÓRIA - PARTE I / fevereiro 2010

A conquista 13º salário

Muitos companheiros que tem memória curta, ou que simplesmente desconhecem parte de nossas lutas para melhoria das condições de vida da nossa população sofrida e marginalizada, não sabem quanto sangue suor e lágrima já foram derramados para que alguns benefícios fossem conquistados.

Vamos relembrar!

Hoje, todos trabalhadores recebem o 13º salário, inclusive nós, aposentados e pensionistas, que normalmente somos rotulados como “sem valor” pela sociedade. Mas poucos são os que sabem ou que se recordam das grandes lutas que travamos para conquistar esse direito.
Em janeiro de 1962, por exemplo, lutas homéricas foram travadas contra governos conservadores e reacionários como o do governador Carvalho Pinto. Um governador que não titubeou em colocar até a cavalaria para reprimir as manifestações pacíficas que fazíamos para conquistar o direito ao FGTS. Só para recordar.

Acompanhe

Na próxima edição, caro(a) companheiro(a), você que não conhece vai saber um pouco mais dessa História de nossa História. Acompanhe essa coluna, a partir de agora mensalmente no Jornal da AAPJR.
 
 


HISTÓRIA DA NOSSA HISTÓRIA - PARTE II
/ março 2010

“As Mobilizações”

Na edição anterior do Jornal da AAPJR, neste espaço falamos sobre a luta pelo 13º salário. E contamos que ela foi uma reivindicação de varias categorias de trabalhadores brasileiros mais organizados, desde o inicio do século XX, teve sua história marcada com lutas homéricas.

Vamos relembrar mais um pouco. Em1.946, os tecelões do Rio de Janeiro iniciaram uma greve reivindicando reajuste salarial, melhoria no trabalho e o Abono de Natal que algumas categorias de  trabalhadores já tinham conquistado. O Abono de Natal ficou para outras lutas, mas foi conquistado um aumento de 100% em seus debilitados salários.

No dia 13 de julho de 1.962, depois e muitas lutas, passeatas e greves, o presidente João Goulart sancionou a Lei 4.090, aprovada pelo Congresso Nacional, criando a gratificação de natal; ou seja, o 13º salário.
Quem pensa que foi fácil esta conquista está muito enganado. O ano de 1.961 inicia com grandes greves em quase todas as categorias de trabalhadores do Brasil.

Em Jundiaí, sindicatos que sempre participaram da luta, como os têxteis, ceramistas, químicos, ferroviários e gráficos aderiram de inicio à Greve Geral. Outras categorias, como ocorre em todas as lutas, se acomodaram. Como exemplo uma categoria que estava em grande expansão na região, o dos metalúrgicos, que não só colocou-se contra a greve, mas tentou impedi-la.

Mas, como diz o ditado (trabalhador unido jamais será vencido), o sindicato não quis, mas os metalúrgicos de várias indústrias formaram uma comissão de operários que faziam oposição a direção da entidade e pararam o setor metalúrgico. E pela primeira vez na história a Vigoreli parou.

Não foi fácil. Alguns companheiros foram presos em Jundiaí e houve um assassinado na porta da Elekeiroz em Várzea Paulista.

No Estado de São Paulo mais de seis mil trabalhadores foram presos, espancados e alguns assassinados. Por falta de espaço nas cadeias, muitos foram amontoados no Hipódromo Municipal de São Paulo.

Mas valeu a Luta! Hoje todos trabalhadores recebem o 13º salário: outras lutas vieram depois posteriormente... E a luta da classe trabalhadora não termina aí. Temos muito mais história para contar e muito mais a construir.

Você é parte dessa história. Junte se a nós e vamos construir um mundo melhor para as futuras gerações. 

Continuaremos na próxima edição do Jornal da AAPJR. Até lá, companheiros.
 
 


HISTÓRIA DA NOSSA HISTÓRIA - PARTE III
/ abril 2010

“A Luta e Conquista pelo 147%”

22 de fevereiro de 1992. Quem se lembra dessa data? Estávamos em todo o Brasil em campanha pela reposição das nossas perdas salariais, o famoso 147%, que o então presidente Collor tinha surrupiado do salário dos aposentados e pensionistas. A luta era diária: movimentações nas cidades, passeatas, abaixos assinados e outra formas mais variadas de protestos em todo território nacional. Como já estamos acostumados à mídia, pouca cobertura ela dava a nossas justas reivindicações.

Nesse dia, os catarinenses que estavam engajados na luta, resolveram partir da cidade de Criciúma com uma caravana para pedir o apoio da Assembléia Legislativa e do governador Wilsom Klaynunbig para a causa que já tinha algumas decisões do Judiciário a nosso favor. Qual não foi a surpresa ao chegar à ponte Pedro Ivo Campos, que une a ilha de Florianópolis ao continente, totalmente bloqueada para que a caravana não pudesse entrar na capital.

A Polícia Militar tinha ordem de não deixar a caravana passar por ali.  Existem algumas datas que muitas vezes mudam o rumo da história: e 22 de fevereiro de 1992 foi uma delas.

Os catarinenses não estavam ali para brincadeiras. Depois de argumentar com os policiais que a manifestação era pacífica, não houve acordo e os aposentados foram em frente. A polícia, como sempre acontece, partiu para a agressão. Vários companheiros ficaram feridos. Um deles, Quintino Cechinrl, apesar de ter mais de 65 anos, foi o mais massacrado. Sangrando, mas, com vitalidade, foi em frente. A caravana furou o cerco e chegou até o Palácio do Governo, com seus feridos, mas com a moral em alta. E os companheiros foram recebidos pelo governador. A luta não fora em vão!

Aquelas cenas de violência foram fotografadas e filmadas. Até então, a pouca cobertura da nossa mídia vazou fronteiras, e as cenas foram mostradas pelo mundo afora. Até o Papa João Paulo II em pronunciamento pela TV do Vaticano criticou o tratamento dado pelo governo aos aposentados e idosos do Brasil.

A nossa luta ganhou a opinião pública nacional. O Superior Tribunal Federal (STF), que estava protelando o julgamento do processo dos 147%, alguns dias depois o colocou em pauta e nossa causa foi aprovada por unanimidade. Uma batalha estava ganha!

Mas a luta não para aí.  Várias outras já foram travadas, e muitas ainda virão. Quintino Cechinrl é um exemplo que temos de perseguir. Algum tempo depois ele veio a falecer, mas deixou como lição que, se quisermos conquistar nossos direitos, teremos que lutar por eles.

 
 


HISTÓRIA DA NOSSA HISTÓRIA - PARTE IV
/ maio/junho 2010

“Todas as conquistas, mesmos as demoradas, somente foram alcançadas com luta”

A Associação dos Aposentados de Jundiaí e Região completou 31 anos de lutas para nossos associados e para a sociedade Jundiainse, no último dia 13 de maio de 2010, quando comemoramos com uma pequena festa em regozijo pelas nossas conquistas.

No dia seguinte encontrei um velho companheiro e questionei a sua ausência em nossa comemoração. Disse-me ele: “Não vejo o que comemorar; cada dia a minha saúde e de outros companheiros que ainda não se foram, vai diminuindo, os remédios cada vez mais caros e nosso salário minguando sempre”.

Notei o ar de desânimo no rosto do velho camarada. Mas, se voltarmos o filme no tempo de nossas vidas veremos que nada é fácil e que nossas conquistas foram obtidas com muita garra, sacrifícios e acima de tudo acreditando sempre na nossa força e união. 

No final dos anos 50 e inicio da década de 60, estávamos nós aposentados de hoje com toda a força da nossa juventude, muitas coisas tinham que ser conquistadas e que estavam nos nossos planos de luta.

Desde quando Getúlio Vargas instituiu as Consolidações das leis do Trabalho (CLT) nada mais tínhamos obtidos a não ser a reposição dos nossos salários, que sempre foi manipulada para nos prejudicar. Mas, as bandeiras estavam plantadas! E fomos às lutas, (13º salário, férias de 30 dias, auxílio maternidade, insalubridade e tantas outras pequenas conquistas).
Mas, nossa luta sempre foi permanente: cada reajuste de salário, cada reivindicação dos trabalhadores encontrávamos sempre pela frente a polícia a nos barrar e muitas vezes a nos agredir, mesmo quando o governo se dizia democrático, como os de Juscelino e João Goulart.

Depois, tivemos um período de ditadura militar que nem é bom recordar.
Embora a ditadura cerceasse as nossas liberdades, velhos companheiros e companheiras, alguns ex-dirigentes sindicais agora aposentados, se organizavam em todo o Brasil para criar associações com a finalidade de lutar pelos nossos direitos.
Foi assim que há 31 anos, nascia num Dia das Mães, 13 de maio de 1979, a nossa entidade tendo como bandeira de luta defender não só os direitos dos aposentados e pensionistas, mas, de toda a nossa sociedade marginalizada.

O tempo passa rápido, mas, quanta maldade já foi praticada contra nós. Quem se lembra que em 1987 o piso dos aposentados era apenas 75% do salário mínimo e depois de muitas lutas ficou em 91,5% do mínimo, só sendo corrigido na Constituição de 1988.

Ainda no ano de 1987, nossos salários foram vinculados à folha de contribuição do INSS, sendo que quando caia a arrecadação caia também nossos salários; o famigerado 147% e o “Buraco Negro”. Voltaremos ao assunto.

Em nossa cidade, em 28/09/90, uma lei municipal entrava em vigor beneficiando os maiores de 60 anos do pagamento de ingressos em próprios públicos municipais, criação dos conselhos de Saúde e do Idoso, Assistência Social, Meio Ambiente e Previdência Social, entre outros. Mais Creche do Idoso, Vila para Moradia de Idosos, etc. E outras conquistas obtidas com muitas lutas e participação da sociedade e mobilização dos aposentados e pensionistas.

Nossa associação nunca se omitiu quando o interesse da população estava em jogo. Essas e outras conquistas já são suficientes para que nossos ânimos não fiquem abalados quando muitas vezes está demorando um pouco para atingirmos nossos objetivos.
 
 


HISTÓRIA DA NOSSA HISTÓRIA - PARTE V
/ julho 2010

“O sonho da casa própria”

Desde a fundação da Associação dos aposentados de Jundiaí e Região, há 31 anos, que contou com o companheirismo dos diretores do Sindicato dos Mestres e Contramestres dos Trabalhadores Têxteis do Estado de São Paulo e posteriormente dos diretores do Sindicato dos Ceramistas de Jundiaí que cederam espaço para que a idéia de se criar uma associação de aposentados se tornasse realidade, o sonho dos fundadores da entidade era ter uma sede própria.

O início foi de muitas dificuldades, mas com a garra dos velhos guerreiros os obstáculos foram sendo vencidos. Injustiças que sempre existiram, foram aumentadas ao longo desses primeiros anos. Muitos processos foram encaminhados à Justiça. Os aposentados organizavam-se em todo o Brasil. Associações eram criadas. Os estados se organizavam em federações para comandar melhor as nossas lutas; mas o sonho da casa própria não fora esquecido. Uma comissão fora criada para organizar a compra de um imóvel que pudesse abrigar a nossa associação.

O momento era difícil; nosso dinheiro desvalorizando-se em ritmo frenético, a moeda mudava de nome e para os trabalhadores e aposentados valiam cada vez menos, mas a meta estava traçada. Uma casa na Vila Argos Nova estava à venda. O dinheiro em caixa não era o suficiente, mas o ânimo do nosso pessoal era de alto astral. E fomos à luta.
Alguns companheiros que tinham algumas economias prontificaram-se a emprestar para a associação poder dar parte do valor como entrada e parcelar o restante. Uma assembléia foi convocada para aprovar a compra, e no dia 23 de novembro 1987 nossa primeira sede se tornava realidade.

Algumas reformas tinham que ser feitas. Mas, finalmente, no dia 12 de março 1988 era inaugurada nossa casa própria.
Cabe aqui ressaltar que além do empenho dos nossos diretores e da comissão para aquisição do prédio, não fosse a disposição dos amigos associados que emprestaram dinheiro para completar o valor da entrada a tarefa teria demorado um pouco mais.

Porém, uma vez mais fica evidenciado que quando se vai à luta com disposição e objetivo, a vitória pode demorar, mas sem dúvidas virá.

Uma parte da História de nossa associação estava escrita. Mas a luta continuava, os associados aumentavam a cada dia, e nossa Sede já se tornava pequena para atender a todos. Era necessário tomar outra providência. Mas, isso é outro capitulo da nossa luta.